Silicone, a “nova forma” do corpo

Silicone, a 'nova forma' do corpo

Por Melissa Cerozzi

O implante de silicone torna-se cada vez mais um importante aliado àquelas que não tiveram uma anatomia privilegiada pela mãe natureza.

Ter um corpo bonito com curvas acentuadas e que seja alvo de comentários ‘invejosos’ de outras pessoas é o desejo de milhões de mulheres.

Como consequência, toda harmonia física é responsável pelo bem-estar e qualidade de vida ansiosamente almejada. Mas, muitas vezes, ter aquele ‘corpão’ não requer apenas horas de academia, esteira, bicicleta, caminhada e outros exercícios.

As atividades nem sempre ajudam, por exemplo, a aumentar os seios e o bumbum daquelas mulheres que não foram ‘agraciadas’ pela natureza. Além disso, fatores como envelhecimento, sedentarismo, obesidade e flacidez também são responsáveis por ‘prejudicar’ a harmonia e a beleza do corpo. Seja por qual motivo for, o jeito muitas vezes é contar com uma ‘forcinha’ extra da medicina e ‘melhorar’ a anatomia.

Os implantes de próteses de silicone tornam-se cada vez mais comuns entre as mulheres que desejam dar um ‘up’ no visual e também na auto-estima. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) em 2004 foram realizadas 616.287 mil intervenções cirúrgicas, sendo que 59% (365.698 mil) eram de caráter estético. “Este é o principal motivo que levam as pessoas, especificamente as mulheres a realizar um implante. A prótese não é apenas um reparo na anatomia da mulher. Ela também ajuda a retomar a auto-estima já que ao atingir a maturidade algumas mulheres sentem-se menos atraídas”, alega o cirurgião plástico e presidente regional da SBCP, Antonio Graziosi.

Para atender aos desejos, hoje a medicina estética oferece inúmeras próteses como as de glúteo, coxa, panturrilha e tornozelos (indicada também para casos de deformidades), além das já conhecidas próteses de mama. Tão variado quanto os formatos e tamanhos das próteses é o valor da cirurgia. O custo da prótese, por exemplo, é tabelado e varia de R$ 1,8 mil a R$ 5 mil, em média, e a estes preços são agregados outros valores (internação, anestesista, cirurgião plástico, etc).

Outro ponto destacado pelos médicos é quanto ao ‘tempo de validade’ ou ‘troca’ de cada implante. As próteses atuais com invólucro de silicone mais espesso e gel coesivo podem ser trocadas em média a cada 20 anos, a não ser que a paciente tenha alguma complicação. Neste caso, é preciso fazer uma cirurgia para retirada da prótese e aguardar alguns meses para uma nova avaliação e possibilidade de novo implante. “As próteses, desde que bem colocadas, dificilmente deixam de oferecer satisfação às pacientes, dando sempre segurança e aumentando a auto-estima. Por isso, é recomendado que ela seja trocada caso haja retração ou dores no movimento”, garante o cirurgião plástico e integrante titular especialista da SBCP, Sidney D’Andrea.

Os profissionais também garantem que a cirurgia para implantação de prótese de silicone pode ser feita a partir dos 18 anos, idade em que o corpo já desenvolveu as formas femininas. “Não existe uma idade ideal para realização de qualquer cirurgia plástica. A partir dos 18 anos, o procedimento já pode ser feito. Mas claro que isso depende da indicação precisa do procedimento e das condições físicas da paciente”, garante o cirurgião plástico Ivan Togni.

Quanto ao risco de rompimento da prótese, Togni esclarece que os casos são raros. “Atualmente além do invólucro ser mais resistente, o interior da prótese é de gel coesivo o que a torna mais segura”, conclui. “Se a intenção, no início, era usar a prótese de mama para ‘recuperar’ parte do seio perdido em conseqüência de um câncer, por exemplo, hoje o quadro é muito diferente. Atualmente as próteses tornaram-se uma alternativa para desenhar partes do corpo tanto da mulher como do homem, embora em menos escala”, garante o cirurgião plástico rio-pretense João Ricardo Mansur.

Preferência Nacional

Que mulher nunca sonhou em ter o bumbum redondinho, empinado e firme? Mesmo que existam outros atributos sensuais femininos na concorrência, o bumbum ainda leva o título de preferência nacional, principalmente entre os homens. Embora a mulher brasileira seja a mais desejada por causa da miscigenação, muitas não foram beneficiadas pela natureza no que se refere ao ‘desenho’ do bumbum. O implante da prótese de silicone na região glútea (gluteoplastia) tem se tornado cada vez mais comum entre as mulheres de todas as idades. A colocação das próteses corrige o formato com pouco volume, achatado, caído e com depressões graves.

Os cirurgiões plásticos acreditam que a gluteoplastia está em fase de ascensão. Mesmo não havendo estatísticas sobre o caso, a dedução dos profissionais baseia-se nas mudanças de comportamento do grupo feminino. “O procedimento é cada vez mais comum. Nos últimos cinco anos a procura pela prótese de glúteo tem aumentado significativamente dentro da cirurgia estética. As mulheres se preocupam cada vez mais com a qualidade de vida e consequentemente com a estética”, defende o cirurgião Antonio Graziosi.

O procedimento leva aproximadamente de duas a três horas com anestesia peridural. A incisão, de no máximo 10 cm, é feita próximo ao cóccix.

A prótese é ‘encaixada’ entre o músculo do glúteo maior e menor. “As contra-indicações são para pacientes com insuficiência de volume muscular”, alerta Dandrea. Quanto ao pós-operatório, embora seja tranquilo, os médicos alertam que possíveis dores nos primeiros dias são absolutamente normais e podem ser controladas com analgésicos. Além disso, a paciente deve ter o cuidado em dormir de bruço ou de ‘lateral’ nas três primeiras semanas. O retorno ao trabalho e atividades do dia-a-dia que não exijam muito esforço (dirigir, sentar, por exemplo) é liberado a partir do 15º dia. Já exercícios de grande impacto (hipismo, esqui, lutas, etc.) levam aproximadamente seis meses para serem liberados. “Em geral o resultado é satisfatório, mas, claro que vai depender muito da colaboração da paciente com cuidados a serem seguidos”, conclui Togni.

Amigo do peito!

Enquanto a prótese de glúteo evolui na escala de cirurgias estéticas, o implante mamário já se consolidou como a segunda maior intervenção estética realizada no Brasil. Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgias Plásticas, das 616.287 mil cirurgias plásticas realizadas em 2004, 32% (117.759 mil) foram de implante de mama, perdendo apenas para a lipoaspiração com 54% (198,137 mil) dos casos.

A cirurgia dura em média de duas a três horas com aplicação de anestesia geral ou peridural torácica. A colocação da prótese pode ser via transareolar (feita no meio da aréola), periareolar (com corte semicircular na parte inferior da aréola), axilar (com corte realizado na linha da ‘dobra’ da axila) ou sulco inframamário (corte feito embaixo da dobra dos seios). Geralmente, o pós-operatório também é tranquilo e sem dores, mas os médicos explicam que a paciente deve ficar alerta a algumas anormalidades de infecção ou rejeição como vermelhidão e dor, associados ao calor no local e saída de secreção. Neste caso, é indicado voltar ao médico que realizou a cirurgia.

Pra ninguém botar defeito!

A prótese de perna é outra novidade na cirurgia plástica e assim como as demais, pode ser usada por homens e mulheres. A prótese ajuda a recuperar a estética da parte inferior da perna, especialmente para pessoas que apresentam alguma deformidade no local como correção de sequelas de poliomielite ou doenças que atrofiem o desenvolvimento do nervo. A cirurgia é considerada simples e no mesmo dia a paciente recebe alta.

Para colocação de prótese nas coxas, a incisão do implante é feita próxima à região da virilha com anestesia geral, peridural. A recuperação também é rápida, mas é necessário repouso total recomendado por três dias. Após a cirurgia, é indicado o uso de meia-calça elástica por dois meses e uso de salto médio para não forçar a panturrilha. Já no caso da prótese de panturrilha, a incisão, feita na parte de trás do joelho, tem aproximadamente de três a cinco centímetros e a prótese é colocada dentro da capa do músculo que permite disfarçar muito bem a sua presença. A exemplos dos demais implantes, o pós-operatório também costuma ser tranquilo, sem dores e o paciente pode voltar à suas atividades em até 10 dias.

Verdade ou mentira?

Saiba o que é mito e o que é realidade em relação às próteses.

Mentira: A prótese de glúteo pode incomodar na hora de sentar
Como a prótese é colocada sob o músculo do glúteo maior e menor, não há nenhum tipo de incômodo da prótese.

Verdade: Após o implante da prótese de glúteo é proibida a aplicação de injeção no local
De acordo com os médicos, a aplicação fica terminantemente proibida, pois a agulha ‘despejaria’ o medicamento nas próteses e não no músculo. Além disso, corre-se o risco de a seringa ‘furar’ a prótese.

Mentira: A prática de exercícios físicos (academias, caminhadas, etc.) pode ‘romper’ a prótese ou movê-la
Além de ser recomendada, a prática de exercícios após o implante (seja mamário, glúteo ou pernas) pode ser feita normalmente e, segundo os especialistas, não tem interferência alguma nos resultados. Isso porque após 15 dias de cirurgia, o organismo forma uma espécie de ‘cápsula protetora’ que a ‘isola’ do resto do corpo. Sendo assim, não há perigo dela se deslocar para outras partes.

Verdade: Pode haver uma perda de sensibilidade nos seios após o implante
Mas calma, a perda de sensibilidade é temporária e acontece principalmente na região da aréola e dos mamilos. O quadro pode permanecer por até três meses, mas gradualmente, a paciente recupera a sensibilidade.

Mentira: A prótese de mama interfere no auto-exame, na amamentação ou exame de mamografia
“Salvo os casos de mulheres com hipomastias primárias (mamas pequenas congênitas) e que por esse motivo possuem menor quantidade de tecido mamário e que pode influenciar no tempo e fluxo de aleitamento, não há nenhum outro empecilho quanto à amamentação, desde que se adote a conduta e técnica correta para cada caso. Os exames para detectar patologias mamárias também não são prejudicados, visto que os radiologistas estão cada vez mais preparados para detectar a patologia. A tecnologia também tem contribuído muito para tais procedimentos”, garante o cirurgião Ivan Togni.

Verdade: Nem todas as pessoas podem se submeter a um implante de prótese
O implante é contra-indicado para pessoas que têm históricos de doenças auto-imunes como câncer, lupus eritomatoso, artrite, etc. No entanto, a palavra final é sempre do médico cirurgião.

Mentira: O implante de prótese pode causar câncer
“Nenhuma prótese causa câncer. Ao contrário. Existem pesquisas que comprovam que uma mulher que tem prótese mamária, por exemplo, tem 10% menos de chance de desenvolver câncer de mama que outra mulher que não tem a prótese”, afirma o médico João Ricardo Masur.

Dr. Antonio Graziosi – cirurgião plástico e presidente regional da SBCP – www.sbcp-sp.org.br

 

Fonte: http://www.diarioweb.com.br/vida/materia.asp?codigo=103&nredc=22

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