O olhar pode transmitir aspectos da personalidade e dos sentimentos de um indivíduo

Blefaroplastia

O olhar pode transmitir, de forma particular, aspectos da personalidade e dos sentimentos de um indivíduo e pode modificar-se com o envelhecimento. Partindo desse pressuposto, a região orbitopalpebral assume importante papel como complemento dessa forma de expressão.

Blefaroplastia é uma palavra de origem grega (blepharos refere-se às pálpebras e plásticas, relativo à forma) utilizada para denominar a cirurgia de rejuvenescimento palpebral. Essa cirurgia pode ser realizada isoladamente ou associada à outros procedimentos que complementam o tratamento dos sinais de envelhecimento daquela região.

A blefaroplastia deve visar, não somente os benefícios estéticos, mas também a preservação do aspecto funcional das pálpebras. Assim sendo, é mandatório que se realize uma criteriosa avaliação pré-operatória das alterações palpebrais que porventura possam comprometer o resultado funcional e estético.

Causas da flacidez palpebral

Afecções alérgicas, doença renal crônica, alcoolismo, alterações no ciclo menstrual, hipo e hipertireodismo, insuficiência cardíaca, afecções localizadas (linfangiomas, hemangiomas, lipomatoses, silicomas) e envelhecimento facial são os principais fatores de risco para o desenvolvimento da flacidez palpebral.

Avaliação clínica pré-operatória

Anamnsese

A anamnese visa investigar o objetivo e a expectativa do paciente. Questões sobre cirurgias prévias na região órbito-palpebral, principalmente cirurgias estéticas devem ser sempre incluídas nessa avaliação. É também essencial um inquérito sobre a presença de morbidades, tais como: doenças crônicas em geral, hipertensão arterial sistêmica, doenças cardiovasculares ou neurológicas, distúrbios da coagulação, doenças hepáticas, doenças psiquiátricas, doenças endócrinas, principalmente, diabetes e tireoidopatias.

O uso de medicamentos atual ou pregresso, tais como: corticosteróides, betabloqueadores e aspirina, deve ser investigado. Reações alérgicas devem ser cuidadosamente avaliadas. Tabagismo é um hábito importante a ser pesquisado, incluindo a quantidade de cigarros consumidos diariamente.

Avaliação oftalmológica

Na anamnese e no exame oftalmológico é importante a investigação de cirurgias oftalmológicas previas, lacrimejamento, olho seco, presença de secreção, blefarite (crostas na margem palpebral), uso de lentes de contato e possíveis irritações decorrente desse fato. Uma avaliação oftalmológica pode ser importante, principalmente com relação a acuidade visual, presença ou não de glaucoma, alterações da córnea e dos músculos extrínsecos. Deve ser ainda investigada a presença do fenômeno de Bell.

Avaliação clínica e laboratorial

A necessidade da solicitação de exames laboratoriais e avaliação cardiológica deve ser guiada pela avaliação clínica inicial. A avaliação clínica específica para planejamento cirúrgico será detalhada a seguir.

Documentação fotográfica

A documentação fotográfica é fundamental para a avaliação pré, intra e pós-operatória e também para fins médico-legais. A sistematização dos parâmetros fotográficos auxiliam na qualidade das fotografias e permitem a comparação entre elas. É indicada a seguinte padronização: face completa em repouso e sorrindo, região orbital e periorbital em repouso e sorrindo, região orbital e periorbital com o paciente olhando para cima e para baixo e perfil da região orbital e periorbital.

Técnica cirúrgica

A blefaroplastia pode ser realizada tanto sob anestesia local, como sob anestesia geral. A primeira é a utilizada com maior freqüência devido a sua simplicidade, podendo ser associada ou não a sedação.

O curativo deve ser feito com compressas umedecidas em soro fisiológico gelado. Os pontos são retirados três a quatro dias após a cirurgia, reduzindo assim a incidência de cistos de inclusão epitelial ou túneis permanentes da sutura.

Complicações

As complicações das blefaroplastia podem ser temporárias ou permanentes. Complicações temporárias são geralmente relacionadas ao edema, contratura cicatricial e retrações palpebrais que podem persistir por vários dias ou semanas. O reflexo oculocardíaco, que é um reflexo vagal, pode ocorrer como conseqüência da pressão sobre o bulbo ocular. Clinicamente manifesta-se com cianose dos lábios, sensação de calor, náusea, desfalecimento e tontura. O tratamento consiste na oxigenação, posicionamento do paciente em Trendelemburg, retirada dos campos cirúrgicos, compressas frias nos pés e região frontal. Não havendo resposta às medidas citadas, recomenda-se o uso endovenoso de 0,4 mg de atropina.

Dentro as complicações permanentes, vale citar: olho seco, lesão da córnea, assimetria palpebral, ectrópio e ptose palpebral. Hematomas palpebrais, infecções, hematoma retrobulbar, enoftalmia e cegueira (0,04% dos casos operados) são, felizmente, ocorrências raras. Uma das complicações mais dramáticas da blefaroplastia é o hematoma retrobulbar, podendo levar à lesão do nervo óptico. A hemorragia no cone retrobulbar é comumente arterial, levando ao rápido aumento da tensão intra-ocular, evidenciada por dor intensa e súbita e proptose. Na evolução do processo há interrupção da circulação da retina e do disco óptico.

Conclusões

A blefaroplastia das pálpebras superiores, isolada ou associada à das pálpebras inferiores devolve ao olhar uma aparência jovial, vivaz, menos tensa e menos cansada, mesmo quando a queixa inicial limita-se à presença de bolsas adiposas. Atualmente, a blefaroplastia é uma cirurgia bem padronizada, apresentando variações que dependem da indicação e de casos específicos e traz, na maioria das vezes, grande satisfação ao paciente e ao cirurgião.

 

Texto escrito por Dr. Antonio Graziosi

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